Eu tenho certeza de que todos os que chegam aqui no Quiche são amplamente esclarecidos no que concerne ao processo eleitoral brasileiro. No entanto, ouvimos um monte de gente falando bobagens por aí, que são exaustivamente repetidas na rua, nas nossas caixas de entrada de e-mail, no twitter, em blogs e até - pasmem! - na imprensa.
Resolvi então escrever aqui sobre 2 coisinhas fundamentais para o eleitor consciente: o tão falado (e pouco conhecido) Projeto Ficha Limpa e os polêmicos votos brancos ou nulos.
Existem 2 tipos de votos nas eleições: os válidos e os inválidos. Válidos são todos aqueles em que o eleitor digitou o número de um candidato existente e apertou "confirma". São esses votos os considerados para o resultado das eleições. Votos inválidos dividem-se em 2 sub-tipos: brancos ou nulos. Na prática, para o resultado final, eles são uma coisa só - votos inválidos. Esses votos não vão pra ninguém, sejam eles brancos ou nulos.
Então votar branco ou nulo tanto faz? Sim. É inócuo? Não. Votar branco ou nulo realmente não tem diferença pragmática, mas faz diferença, sim, no processo eleitoral, uma vez que diminui o número de votos válidos, tornando mais fácil atingir a metade+1 necessária, por exemplo, para que não haja segundo turno. Não haver segundo turno é ruim? Opinião pessoal: sim, já que enfraquece o processo democrático, reduzindo o tempo para eleitor conhecer as propostas dos candidatos mais fortes. Isso para os cargos executivos, para os quais há segundo turno.
Para os demais cargos, acontece o mesmo problema de diminuir o número de votos válidos, facilitando que se consiga o total necessário para eleger-se, já que - mais uma vez - apenas os votos válidos são considerados para o resultado.
Ainda sobre os votos nulos, é comum ouvir por aí que se houver 50%+1 de votos nulos o processo eleitoral é invalidado e novas eleições, com novos candidatos, são convocadas. Mentira. O que o código prevê é que novas eleições são realizadas em caso de nulidade de mais da metade da VOTAÇÃO. Nulidade aqui refere-se a votos realizados de forma irregular - fora do horário/local, por exemplo.
Quanto ao Projeto Ficha Limpa, deixo aqui um link para que vocês leiam um texto excelente e esclarecedor. Dou apenas informações básicas:
- o candidato não se torna inelegível "para sempre", mas por um período determinado.
- não é qualquer tipo de crime que torna o candidato inelegível (o Netinho é candidato a Senador por São Paulo, lembra?).
- a denúncia por um tribunal já torna o candidato inelegível, não é necessária a condenação.
Meus amigos, o mais importante é informar-se. Leiam fontes confiáveis. Não sejam preguiçosos, achando que e-mails apaixonados, twitts, posts de amigos defensores da democracia são fontes fidedignas de informação. Bebam na fonte, buscando o projeto, lendo-o, conhecendo-o. Leiam o Código Eleitoral - pelo menos a parte relativa ao que vocês acham que não sabem bem ou não estão suficientemente informados a respeito. Nada que uns minutinhos de Google não resolvam...
Isso é fazer a sua parte. Ficar por aí arrotando que político não presta é muito fácil. E você... É um eleitor que presta?
"Ler e imaginar são duas das três portas principais — a curiosidade é a terceira — por onde se acede ao conhecimento das coisas. Sem antes ter aberto de par em par as portas da imaginação, da curiosidade e da leitura — não esqueçamos que quem diz leitura diz estudo—, não se vai muito longe na compreensão do mundo e de si mesmo." Saramago
terça-feira, setembro 21, 2010
domingo, setembro 19, 2010
Eu não queimei sutiã nenhum!
Tenho um grupo de amigas de muitos e muitos anos, com as quais tenho encontrado pouco. De tempos em tempos promovemos encontros para matar as saudades e colocarmos os assuntos e novidades em dia. Recentemente foi aniversário de uma delas e nos encontramos. Não foi muito diferente do que normalmente é: reclamações sobre os maridos, as novidades das crianças, alguns relacionamentos recém terminados com solteiras desiludidas pela falta de homens - principalmente homens interessantes, combinações para sair que nunca são levadas a cabo, mais reclamações...
Às vezes eu fico até sem graça, pensando em algo para reclamar... O máximo que consigo é dizer que estou cansada, estudando demais, que a prova é muito difícil e concorrida. Não é que eu não tenha problemas, mas eu lido com eles. Simples assim. Se falar das pequenas coisas que me irritam no dia a dia, seguramente terei novidades a cada encontro. Porque, ao contrário da maioria delas, tento superar as dificuldades e melhorar o que tá ruim. Os problemas então mudam. Assim, não vou obrigá-las a ouvir as mesmas reclamações repetidas da próxima vez, como elas fazem comigo.
No último encontro, a pauta principal foi que os homens são mimados, folgados, querem que façamos tudo... aquela velha história: acredita que ele queria que eu arrumasse a mala dele? É problema meu se ele não experimentou o terno antes? O filho é só meu por acaso?
As mulheres lutam há muito pela igualdade entre os gêneros. Eu, sinceramente, torço pra que tal igualdade nunca seja alcançada. Meu lema é: viva a diferença!
Eu acho isso muito engraçado... Acham ruim se o cara pede ajuda pra arrumar a mala, mas ai dele se não abrir a porta, puxar a cadeira, for lindo, malhado, capaz de fazer sexo por 3 horas ininterruptas, profissionalmente bem sucedido, disposto a ouvir as queixas e compreendê-las, aguentar uma TPM estoicamente... Ah! E sempre ter um chocolate a mão, claro!
Ajudar com a mala ou o terno não pode ser simplesmente um gesto de cuidado e carinho? Por que é tão ofensivo e em que diminui o valor da mulher? Por que essa necessidade de rechaçar tudo o que é associado ao que era considerado exclusivamente feminino?
É estranho que as mulheres queiram tanto ser mais como os homens e, ao mesmo tempo, queiram que os homens continuem homens. Quem vai desempanhar o feminino no mundo?
Igualdade de acessos e direitos, tudo bem. Que não haja obrigações tipicamente de mulheres e tipicamente de homens, tudo bem. Mas eu quero continuar sendo mulherzinha. Não sou obrigada a lavar roupas, arrumar as malas do meu marido ou cuidar da louça, da casa e das crianças sozinha. Mas se tiver que fazer alguma dessas coisas, qual o problema? Muitas reclamam se o cara não quer lavar a louça, mas duvido que alguma delas troque a lâmpada ou a resistência do chuveiro se houver um homem por perto!
Nem Vênus, nem Marte. A confusão está na cabeça das pessoas. Não são papéis ou funções que definem um homem e uma mulher. O dia em que as super mulheres modernas que tudo podem e tudo querem entenderem isso, arrumar uma mala não vai ser um grande drama e a vida vai ficar bem melhor. Isso porque, com o senso de organização feminino, a mala vai ficar pronta muito mais rápido e de maneira muito mais eficiente. O homem vai ter mais tempo e energia pra desenvolver outras atividades... além de estar grato pela ajuda e atenção dispensada. If you know what I mean...
Às vezes eu fico até sem graça, pensando em algo para reclamar... O máximo que consigo é dizer que estou cansada, estudando demais, que a prova é muito difícil e concorrida. Não é que eu não tenha problemas, mas eu lido com eles. Simples assim. Se falar das pequenas coisas que me irritam no dia a dia, seguramente terei novidades a cada encontro. Porque, ao contrário da maioria delas, tento superar as dificuldades e melhorar o que tá ruim. Os problemas então mudam. Assim, não vou obrigá-las a ouvir as mesmas reclamações repetidas da próxima vez, como elas fazem comigo.
No último encontro, a pauta principal foi que os homens são mimados, folgados, querem que façamos tudo... aquela velha história: acredita que ele queria que eu arrumasse a mala dele? É problema meu se ele não experimentou o terno antes? O filho é só meu por acaso?
As mulheres lutam há muito pela igualdade entre os gêneros. Eu, sinceramente, torço pra que tal igualdade nunca seja alcançada. Meu lema é: viva a diferença!
Eu acho isso muito engraçado... Acham ruim se o cara pede ajuda pra arrumar a mala, mas ai dele se não abrir a porta, puxar a cadeira, for lindo, malhado, capaz de fazer sexo por 3 horas ininterruptas, profissionalmente bem sucedido, disposto a ouvir as queixas e compreendê-las, aguentar uma TPM estoicamente... Ah! E sempre ter um chocolate a mão, claro!
Ajudar com a mala ou o terno não pode ser simplesmente um gesto de cuidado e carinho? Por que é tão ofensivo e em que diminui o valor da mulher? Por que essa necessidade de rechaçar tudo o que é associado ao que era considerado exclusivamente feminino?
É estranho que as mulheres queiram tanto ser mais como os homens e, ao mesmo tempo, queiram que os homens continuem homens. Quem vai desempanhar o feminino no mundo?
Igualdade de acessos e direitos, tudo bem. Que não haja obrigações tipicamente de mulheres e tipicamente de homens, tudo bem. Mas eu quero continuar sendo mulherzinha. Não sou obrigada a lavar roupas, arrumar as malas do meu marido ou cuidar da louça, da casa e das crianças sozinha. Mas se tiver que fazer alguma dessas coisas, qual o problema? Muitas reclamam se o cara não quer lavar a louça, mas duvido que alguma delas troque a lâmpada ou a resistência do chuveiro se houver um homem por perto!
Nem Vênus, nem Marte. A confusão está na cabeça das pessoas. Não são papéis ou funções que definem um homem e uma mulher. O dia em que as super mulheres modernas que tudo podem e tudo querem entenderem isso, arrumar uma mala não vai ser um grande drama e a vida vai ficar bem melhor. Isso porque, com o senso de organização feminino, a mala vai ficar pronta muito mais rápido e de maneira muito mais eficiente. O homem vai ter mais tempo e energia pra desenvolver outras atividades... além de estar grato pela ajuda e atenção dispensada. If you know what I mean...
sábado, setembro 18, 2010
Keep fishin'
Coisas que estavam aí no mundo pra eu descobrir e gostar:
* Tori Amos
* Blog Nao2nao1
* Programas do Canal Fashion TV Brasil: Iconoclasts, Lado H, Estilo Brasil, Moda & Música
* Suco de Pitanga do Marieta
* Sorvete de Pitanga do I Scream
Coisas que chegaram ao mundo há pouco tempo (ou nem tão pouco assim) e eu gostei:
* Minha casa pintada de terracota (sim, é uma cor!)
* Chocolate Delice de caramelo da Lacta
* Chá Mate Leão gelado de limão
* O filme The hot tub time machine
Coisas que estavam no mundo, eu gostava, havia esquecido, relembrei e gostei:
* Balas de maçã da Lalka
* Daft Punk, Morcheeba, Spoon
* A doceria Mole Antonelliana
* Fazer playlists
* Guimarães Rosa
* Parque das Mangabeiras
Adoro novidades, descobertas e redescobertas. Sigo com a postura "whatever tomorrow brings..." Inclusive Incubus em BsAs ;-)
* Tori Amos
* Blog Nao2nao1
* Programas do Canal Fashion TV Brasil: Iconoclasts, Lado H, Estilo Brasil, Moda & Música
* Suco de Pitanga do Marieta
* Sorvete de Pitanga do I Scream
Coisas que chegaram ao mundo há pouco tempo (ou nem tão pouco assim) e eu gostei:
* Minha casa pintada de terracota (sim, é uma cor!)
* Chocolate Delice de caramelo da Lacta
* Chá Mate Leão gelado de limão
* O filme The hot tub time machine
Coisas que estavam no mundo, eu gostava, havia esquecido, relembrei e gostei:
* Balas de maçã da Lalka
* Daft Punk, Morcheeba, Spoon
* A doceria Mole Antonelliana
* Fazer playlists
* Guimarães Rosa
* Parque das Mangabeiras
Adoro novidades, descobertas e redescobertas. Sigo com a postura "whatever tomorrow brings..." Inclusive Incubus em BsAs ;-)
terça-feira, setembro 14, 2010
A melhor propaganda que já vi!
Que ideia genial!!! É interativo, é viral, é criativo, é divertido...
Clique numa das opções ao fim do video (shoot the bear/don't shoot the bear) e... have fun!
segunda-feira, setembro 13, 2010
Massive Attack em BH
15 de novembro, feriado. Não tem desculpa!
Os ingressos já estão à venda. É show pra não perder de jeito nenhum.
Presentinho de aniversário antecipado pra mim! :-) Vamos?!
quinta-feira, setembro 09, 2010
Indie.10
Com atraso posto aqui sobre a décima edição do Indie Festival - a última sessão começa daqui a pouco, às 21:30. De todo modo, a intenção não é divulgar o evento, mas falar do que vi.
Assisti a apenas 3 filmes e 2 deles merecem menção: O modo Delia e D-tour, exibidos numa mesma sessão.
O primeiro tem apenas 25 minutos e fala sobre essa mulher incrível, Delia, que fazia música eletrônica antes que qualquer tecnologia própria fosse inventada. Usava tão somente fitas cassetes que cortava e editava manualmente. Um trabalho sobre-humano com resultados fantásticos. O filme constitui-se de imagens da própria Delia e de entrevistas de gente ligada à área, como o dj do Portishead (vocês acham que ela foi foda ou não?). Não sei se é possível encontrar o filme fora de festivais, mas qualquer um que se interesse por música ou grandes realizações humanas deveria vê-lo.
Já D-tour é um tapa na cara. Conta a história do baterista de uma banda de rock - Rogue Wave - que está na lista de espera por um rim. O cara viaja em turnê com a banda, fazendo hemodiálise. O filme fala de superação, de amizade, de relações humanas, de doação incondicional e, claro, de doação de órgãos. Não é que ele apresente informações novas para conscientizar as pessoas, ele mostra, na real, como esquecemos de valores basilares no nosso cotidiano. É impressionante!
Em tempos de amores líquidos, é bom que sejamos lembrados do que realmente importa e de que o tempo é uma experiência subjetiva, não está no calendário ou no relógio. Amemos e proclamemos nosso amor. Agora!
Assisti a apenas 3 filmes e 2 deles merecem menção: O modo Delia e D-tour, exibidos numa mesma sessão.
O primeiro tem apenas 25 minutos e fala sobre essa mulher incrível, Delia, que fazia música eletrônica antes que qualquer tecnologia própria fosse inventada. Usava tão somente fitas cassetes que cortava e editava manualmente. Um trabalho sobre-humano com resultados fantásticos. O filme constitui-se de imagens da própria Delia e de entrevistas de gente ligada à área, como o dj do Portishead (vocês acham que ela foi foda ou não?). Não sei se é possível encontrar o filme fora de festivais, mas qualquer um que se interesse por música ou grandes realizações humanas deveria vê-lo.
Já D-tour é um tapa na cara. Conta a história do baterista de uma banda de rock - Rogue Wave - que está na lista de espera por um rim. O cara viaja em turnê com a banda, fazendo hemodiálise. O filme fala de superação, de amizade, de relações humanas, de doação incondicional e, claro, de doação de órgãos. Não é que ele apresente informações novas para conscientizar as pessoas, ele mostra, na real, como esquecemos de valores basilares no nosso cotidiano. É impressionante!
Em tempos de amores líquidos, é bom que sejamos lembrados do que realmente importa e de que o tempo é uma experiência subjetiva, não está no calendário ou no relógio. Amemos e proclamemos nosso amor. Agora!
segunda-feira, setembro 06, 2010
Lembrete!
Para os esquecidos e desavisados: hoje é o dia do sexo. Participem! ;-)
Para dançar funk e aumentar a cultura ao mesmo tempo!
Você é meio intelectual, meio esquerda mas não resiste à batida do funk carioca? Sente-se constrangido por querer mexer os quadris ao som de "desce, desce, desce"? Esse vídeo pode salvar a sua vida!
Agora você pode ouvir funk sem culpa, e parar de fingir que só curte jazz e mpb com letras politizadas.
Humberto Gessinger, com todas as suas figuras de linguagem, e Dinho Ouro Preto devem estar morrendo de inveja dessa letra! Hahaha.
sexta-feira, setembro 03, 2010
Sentimento de mundo
Freud começa "O mal-estar na civilização" falando do sentimento oceânico e dizendo-se incapaz de senti-lo. Bem, eu compartilho dessa condição. Nunca senti-me conectada ao mundo dessa maneira, como um sentimento religioso, oceânico, transcendental. Talvez eu seja mesquinha e demasiado mundana.
A verdade é que não creio que preciso ter fé em algo superior e misterioso para ter uma vida plena, significativa, na qual eventuais manifestações do divino possam ocorrer.
A maioria das pessoas não vê a beleza em coisas cotidianas. O homem genérico insiste em ver maldade e tristeza, e em não ter esperança no futuro.
A minha prática profissional me impôs muitos anos de escuta. Escuta atenta, interessada. E escutei muita gente, nas mais variadas situações. Quase sempre de sofrimento, é verdade. Mas não é só profissionalmente que escuto. Escuto amigos, parentes, pessoas que amo, e também desconhecidos, com a mesma atenção e interesse.
De todas as pessoas que já escutei (ou li), a maior parte não tem nenhum sentimento verdadeiro de fé ou esperança. Quem se diz religioso, em geral o é por medo, por necessidade ou por inércia impensada.
Encontrei poucas pessoas na minha curta vida (são apenas 32 anos) que são capazes de sentir amor pelo humano. Não um indivíduo, mas o humano.
Fui questionada inúmeras vezes sobre minha falta de fé em Deus. Ninguém nunca me perguntou apenas “você tem fé?”. A resposta seria afirmativa. Tenho muita fé na humanidade, tenho uma fé incondicional e infinita no mundo e nos homens. Me sinto parte dele e por ele responsável. E não preciso do sentimento oceânico pra isso.
As pessoas se chocam por eu não crer em Deus, mas não se chocam que interesses políticos imponham condições inferiores de vida a toda uma população. É isso o que acontece quando sanções são impostas ao Irã, por exemplo. Não basta a história sofrida desses persas, eles ainda ficam à mercê dos interesses dos líderes de 6 nações – o que não necessariamente representa a vontade dos povos dessas nações. Enquanto isso, Israel ataca embarcações com ajuda humanitária para a Faixa de Gaza e continua a negar a posse de armas nucleares.
É chocante que um casal arremesse uma criança pela janela. E é menos chocante que uma ilha inteira desapareça do mapa por causa das ações humanas?
Eu realmente não entendo as pessoas. Ainda me choco mais do que me surpreendo positivamente com as atitudes do homem. Ainda assim, eu tenho fé. E, mais do que isso, eu procuro colocar minha fé e minha esperança em cada atitude. Procuro fazer qualquer coisa com o máximo de amor que eu puder dar.
Hoje acordei e, quando abri a janela, vi uma leve bruma envolvendo as árvores que avisto da minha varanda. A luz do sol batia fraca e deixava a cena mais idílica, mais linda. Não precisei pensar em Deus pra apreciar e ficar mais feliz. O quadro fica menos bonito se não for obra divina? O homem é menos sagrado se apenas evoluiu de seres mais elementares?
O que questiono não é a fé das pessoas. Absolutamente. Vejo na religião uma necessidade e uma ferramenta que pode sim, ser usada de forma positiva. O que questiono é a necessidade da religião, ou do sentimento religioso.
Ontem assisti a um programa que descobri recentemente e de que gosto muito – Iconoclasts, que é transmitido no Brasil pelo Fashion TV. O episódio que vi ontem foi com Eddie Vedder e Laird Hamilton. Minha grande admiração por Eddie Vedder já foi afirmada e reafirmada neste blog algumas vezes.
Durante um passeio de helicóptero sobre a ilha Maui, os dois veem um arco-íris em círculo, e depois duplo. E têm ainda visões inacreditáveis da ilha. Em certo ponto, Eddie credita isso a Deus e fala de suas conversas com Ele. Daí me veio a ideia, a dúvida na verdade, sobre essa necessidade do divino inerente à maioria das pessoas.
Alguns dos meus maiores ídolos são ateus declarados. Todos seres humanos superiores, que deram ou dão uma gigantesca contribuição ao mundo. Muito maior do que a de Papas ou outros líderes religiosos. Freud, Saramago, Greg Graffin. Eles não precisaram de Deus pra fazer uma enorme diferença. Todos homens de muita fé – na ciência, na arte, no homem...
Se você não é capaz de ver o caminho que a lua corta pra você caminhar; se você não consegue respirar fundo, viver e ver o caminho de cada dia, eu sinto muito, mas não há Deus ou religião que o salve. E se consegue apreciar as coisas pequenas e grandes que o mundo oferece a quem quiser, o que você está dando em troca?
Não podemos viver com um pouco de mistério? Não podemos apenas apreciar a beleza e a alegria das coisas? Todos os grandes homens sabem que respostas estragam a surpresa deliciosa de descobrir a vida e o mundo.
Se a "Máquina do mundo" se abrisse pra mim, faria como Drummond: apenas seguiria meu caminho incuriosa de saber todos os mistérios da vida, mas curiosa de descobri-los todos. E senti-los no corpo e na alma, com o que vier de bom e de ruim do claro enigma de cada dia!
quarta-feira, setembro 01, 2010
A origem
Definitivamente Christopher Nolan está no meu top 5 de cineastas favoritos! "Amnésia" foi o primeiro filme dele a que assisti e já me deixou muito impressionada (está, seguramente, no meu top 10). Depois, veio "Batman Begins" que, entre os filmes sobre Bruce Wayne tornou-se o meu preferido até... "O cavaleiro das trevas", do mesmo diretor. Este tem o melhor Joker de todos os tempos, superando inclusive o do Jack Nicholson, dirigido por Tim Burton, meu diretor predileto.
Então vi "A origem". Não tinha uma expectativa tão alta, apesar do diretor, por causa de uma má vontade com relação a Leonardo Dicaprio. Mas... Gosh! Saí até meio tonta do cinema, empolgada, falando sem parar. Fiquei dias com o filme na cabeça, interpretando, questionando...
Como é bom ver um trabalho tão bem elaborado, pesquisado, preparado com cuidado! O casting é fantástico, o visual é de tirar o fôlego e o roteiro... bem, é a cereja do bolo! MESMO. Há tempos eu não via um filme que desse tantas possibilidades de interpretação, que levantasse tantas dúvidas, mas sem entediar e sem parecer pretensioso. Não é que ele queira intrigar... Ele é intrigante. Esse é o melhor tipo de filme, né? Daqueles que a gente sai do cinema sem saber se entendeu, com uma pulga atrás da orelha. O filme não termina quando acaba.
Que me desculpem os que gostaram de "Magnólia", ou "Estrada perdida", ou "Cidade dos sonhos". Mas um filme não precisa te fazer parecer estúpido por não ter entendido nada pra ser inteligente, bom e misterioso. É bom sair se perguntando "Será?", e não "What da f#*k?!". É bom não ter a inteligência subestimada com explicações ofensivas e finais óbvios.
Se não viu, veja! Ah... Kalil, você não entendeu o filme. Essa é a única explicação pra não ter gostado, hahaha.
Leia os comentários de Pablo Villaça. Você vai querer assistir!
Então vi "A origem". Não tinha uma expectativa tão alta, apesar do diretor, por causa de uma má vontade com relação a Leonardo Dicaprio. Mas... Gosh! Saí até meio tonta do cinema, empolgada, falando sem parar. Fiquei dias com o filme na cabeça, interpretando, questionando...
Como é bom ver um trabalho tão bem elaborado, pesquisado, preparado com cuidado! O casting é fantástico, o visual é de tirar o fôlego e o roteiro... bem, é a cereja do bolo! MESMO. Há tempos eu não via um filme que desse tantas possibilidades de interpretação, que levantasse tantas dúvidas, mas sem entediar e sem parecer pretensioso. Não é que ele queira intrigar... Ele é intrigante. Esse é o melhor tipo de filme, né? Daqueles que a gente sai do cinema sem saber se entendeu, com uma pulga atrás da orelha. O filme não termina quando acaba.
Que me desculpem os que gostaram de "Magnólia", ou "Estrada perdida", ou "Cidade dos sonhos". Mas um filme não precisa te fazer parecer estúpido por não ter entendido nada pra ser inteligente, bom e misterioso. É bom sair se perguntando "Será?", e não "What da f#*k?!". É bom não ter a inteligência subestimada com explicações ofensivas e finais óbvios.
Se não viu, veja! Ah... Kalil, você não entendeu o filme. Essa é a única explicação pra não ter gostado, hahaha.
Leia os comentários de Pablo Villaça. Você vai querer assistir!
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