quinta-feira, outubro 04, 2007

O bom uso das figuras de linguagem

Nossa rica língua portuguesa nos dá uma gama variadíssima de recursos, dentre os quais as figuras de linguagem, que insistimos em empregar indevidamente, maltratando sem comiseração a língua pátria.

Uma dessas figuras, que sofre muitas torturas, é o eufemismo.

Ele deveria ser um instrumento da ironia, do sarcasmo, da sutileza e da delicadeza. Mas é, em geral, ofensivamente utilizado para a hipocrisia social, que muitos tratam por "politicamente correto".

Tem coisa mais irritante do que alguém chamar de secretária sua empregada doméstica, faxineira ou diarista?

Pior: - É aquele moreno ali! - Você olha, o cara é mais preto que o Odivan... Tá. Isso não foi nem exagero, foi o avesso do eufemismo. Mais preto que o Odivan não há. Mas enfim, o cara parece feito de vinil e um imbecil o chama de moreno!

Tem também o cheinha. Quando você vai ver, é uma gorda de 220kg, que tá mais pra lotada, empapuçada, explodindo, Mineirão em dia de Atlético e cruzeiro.

Igualmente chato é quando alguém quer te dizer que o cara é gay e diz que ele é sensível.

Eu sei que vocês conhecem bem o meu gosto pelo exagero. Mas não se enganem... eu aprecio muito mais um eufemismo bem empregado do que qualquer tosquice. Mas também reconheço a dificuldade de fazer bom emprego do eufemismo, da delicadeza, da sutileza. Mas, meu amigo, se você não é nenhum Saramago ou Quintana, abuse da grosseria!

A grosseria e a tosquice também comunicam. Com grande eficácia, clareza, objetividade e maior assertividade do que qualquer eufemismo (bem ou mal empregado). Pois não há o risco do mal entendimento e, menos ainda, da hipocrisia.

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